sábado, 30 de abril de 2011

Amor e Educação




Educa-se para o amor, como dever inalienável para uma vida feliz.


A tradição egoística, que ainda permanece em muitos quadros da educação familial, transformou o amor em recurso utilitarista, isto é, somente oferecê-lo quando se puder recebê-lo de volta ampliado e compensador. Na maioria das vezes, por meio desse comportamento, arma-se o educando com desamor, a fim de que não seja explorado, não se transforme em um ingênuo, acreditando-se que o seu sentimento não poderá modificar as demais pessoas nem o mundo.


Com essa ultrapassada conceituação, propõe-se a indiferença em relação ao próximo, que deve ser explorado, considerado descartável, de maneira a não lhe ser vítima, conforme assevera-se, prejudicialmente, tem sempre acontecido.


Em conseqüência, a generosidade, a pouco e pouco, desaparece-lhe do convívio social desde a infância, quando se cultivam as tendências comodistas, personalistas, em detrimento da solidariedade, dos interesses recíprocos que devem constituir a saudável comunhão social.


Nesse tipo de cultura os relacionamentos são baseados no lucro, naquilo de cada um se pode beneficiar, na exploração do outro, embora as legislações de muitos países e incontáveis partidários dos direitos humanos digam-se vinculados à não exploração do homem pelo homem. Essa exploração, é claro, não se encontra adstrita apenas ao trabalho convencional, mas também a qualquer maneira de depauperamento do outro a benefício pessoal, ao uso indevido dos recursos e valores alheios, ao benefício das afeiçoes com objetivos interesseiros...


O amor adquire, então, a conotação infeliz de intercurso sexual destituído de compromisso e de responsabilidade, no qual o outro, o parceiro que se afeiçoa, quando abandonado, o que sempre acontece, passa a experimentar dilaceração emocional. Utilizado, mas não estimado ou menos valorizado, dele alguém se livra com indiferença, seguindo adiante até tornar-se vítima dos próprios atos, quando é, por sua vez, desprezado também.


A sociedade é o que dela fazem os seus membros. Quando se cultivam o respeito e dignidade, compreensão e solidariedade, temo-la feliz; no entanto, quando se lhe aplicam o relho e a soberba, a falsa superioridade e despotismo, ei-la desditosa e anárquica.


O que se lhe semeia, facilmente medra e produz, assinalando-a de maneira irrefragável.


Uma cultura utilitarista é profundamente infeliz, porque ninguém pode viver sem o concurso de outrem, sem a participação do companheirismo que o dinheiro ou o poder jamais podem conquistar.


Pessoas compradas não têm nenhum significado emocional, pois que são trêfegas e traiçoeiras, mudando de situação e parceria conforme o prêmio que lhes é oferecido.


Somente o sentimento de amor possui o milagre de poder plenificar, porquanto, independendo de preço, de condição, possui o vigor da generosidade que enriquece o coração e refaz a lucidez do Espírito. Isso Porque o amor procede de dentro, do âmago do ser, onde tem a sua origem divina, em razão da sua causalidade.


O amor é sempre generoso, possuidor das fortunas da bondade, do carinho, da compreensão, da compaixão que nele predominam; antídoto eficaz para a crueldade, a ignorância, o egoísmo; esses adversários cruéis da criatura humana.


Nos lares onde o amor escasseia, os sentimentos são controvertidos e a família se apresenta dissociada dos vínculos de união, cada um trabalhando para vencer na luta e superar o outro.


O grupo familial torna-se acidente biológico, em cujo curso os pais se desincumbem do dever, que nem sempre se lhes apresenta como agradável, que é o de atender a prole e dela libertar-se quanto antes, a fim de viverem os prazeres que se reservam, considerando o tempo perdido que aplicaram, dizem, na assistência aos filhos. Assistência, sim, porque nem sequer houve preocupação de amá-los, de educá-los, de prepará-los para a existência, instrumentalizando-os com os incomparáveis bens do Espírito: amor, respeito ao próximo, abnegação, compaixão.


Áridos emocionalmente, tornam-se insensíveis em relação às demais criaturas, pouco importando-se quando as ocorrências inevitáveis do curso existencial alcançam aqueles que os geraram, aos quais decretam solidão, oferecendo assistência remunerada a distância, quando o fazem, nunca porém doando-lhes afeto, pois que jamais o receberam.


O resultado nefasto dessa conduta não para aí, porquanto, por sua vez, tornam-se também genitores desapiedados, mal-humorados, que reclamam de tudo quanto concedem no lar, considerando não haver possibilidade de próxima ou de remota retribuição, o que os aflige no seu desenfreado egotismo.


Esse comportamento espúrio que viceja em muitos setores da atualidade é responsável pela miséria moral, geradora daquelas de natureza social, econômica, emocional, estimuladora da agressividade e da violência, do ódio urbano e das paixões desabridas.


Entre as pessoas que possuem cultura, torna-se mais perversa essa conduta, porque ninguém pode ignorar os benefícios do amor que se recusa a dar e até mesmo a receber quando lhe é direcionado, em razão da sua filosofia pessimista.


Nas classes menos afortunadas socioeconomicamente, o drama é mais doloroso, porque a ignorância que as sensibiliza é transferida para os descendentes em forma de ódio contra a sociedade, na qual respiram com dificuldade, estimulando a tomada pela força de tudo quanto lhes é negado pelo direito de cidadania e de humanidade.


O amor, no entanto, quando medra e é estimulado a desenvolver-se, amplia-se em generosidade que multiplica recursos, colocando-os à disposição de todos, com que se alegram e se compensam afetivamente, dando surgimento à justiça social e ao trabalho edificante que os unem em clima de progresso.


O amor sempre avança na direção de outrem, iluminando-o, se jaz em sombras, ou fundindo a sua na luz que defronta, aumentando-a, desse modo, sem qualquer esforço.


O amor faz parte do programa de educação no lar e da grade escolar, orientando os impulsos que se devem transformar em sentimentos, os instintos que evoluirão para emoções, a aprendizagem que se encarregará de criar atos de afabilidade e de doçura, de reto dever em relação aos demais, produzindo bênçãos para aquele que assim se comporta.


Educam-se comportamentos, costumes e necessidades, que se fazem um compêndio de boas maneiras com as quais se pode transitar equilibradamente nos diferentes setores e períodos da existência terrena.


Da mesma forma, educa-se para o amor como dever inalienável para uma vida feliz, permanecendo-lhe receptivo à manifestação que se expande ou à sua captação quando lhe é direcionado.


O hábito de amar é adquirido no lar, ampliando-se na escola, aplicando-se na vida social que se encontra na família, na convivência entre colegas, no comportamento fora dos limites domésticos e dos estabelecimentos de ensino.


Essa educação, porém, não deve ser formal, aquela que apenas transmite conhecimentos, mas sim a que se reveste de valores morais, que são de caráter imperecível, conforme a própria vida.




Livro: Garimpo de Amor – Médium: Divaldo P. Franco – Espírito: Joanna de Angelis.
Fonte da imagem: Internet

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